Centro Médico de Ribeirão Preto

Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, SP, é credenciado para testes de Covid-19


 

Pacientes internados na instituição com sintomas do novo coronavírus terão amostras examinadas. Resultados devem ser conhecidos 24 horas após coleta,  diz diretor do Hemocentro

    O Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto  foi credenciado na segunda-feira, dia 30, para realização de exames da Covid-19. Com isto, testes feitos no laboratório da instituição não precisarão mais de contraprova feita pelo Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, capital.
Sandro Scarpelini, secretário municipal de Saúde,  afirma que, com a habilitação, haverá mais agilidade nos resultados dos testes, o que pode ajudar as autoridades a entender melhor o avanço do novo coronavírus.
   “Temos que deixar claro para a população que esse diagnóstico rápido não vai mudar o tratamento da pessoa, mas a maneira de como a gente se prepara para os casos que estão vindo”, afirma.
Ainda de acordo com Scarpelini, o HC deve receber os insumos necessários para os testes de pacientes internados que apresentarem sintomas do novo coronavírus, principalmente aqueles com quadro de síndrome respiratória aguda grave (SARG).
   Do total de pacientes internados com a síndrome até esta segunda-feira, 30, em Ribeirão Preto, sete testaram positivo para Covid-19, um para H1N1, um para H2N3 e um caso para vírus não identificado.
De acordo com o diretor presidente do Hemocentro Dimas Tadeu Covas, a habilitação do HC pelo Instituto Adolfo Lutz é importante para combater a epidemia. O teste detecta o material genético do vírus e é fundamental na fase inicial. A previsão é que os resultados sejam liberados em 24 horas.
   “Nesse momento, nós temos que dar resposta aos casos mais graves, aos internados. No segundo momento, estender isso para os casos de pessoas que tiveram contato ou suspeito e proceder o isolamento domiciliar”, afirma.
Covas, que também é diretor do Instituto Butantan, diz que a instituição apoiou a logística e os equipamentos de extração automatizada para o HC. A capacidade deve chegar a 200 testes por dia.
   “O laboratório ainda usa estrutura adaptada, não é específico. As pessoas que trabalham nele foram deslocadas de outras áreas. Agora, precisa pensar isso pelos próximos seis meses. Não é puramente emergencial.”
Covas prevê que, até o fim da semana, as unidades regionais do Instituto Adolfo Lutz também sejam autorizadas a realizar o exame. A descentralização, segundo ele, é importante para acabar com o represamento de laudos na capital.

Estrutura de atendimento - A Prefeitura começou a montar um polo de atendimento na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA). O objetivo, segundo a Secretaria de Saúde, é atender casos suspeitos e evitar a propagação do novo coronavírus.
Ao procurar atendimento médico nas unidades de saúde, o morador que não tiver sintomas da doença será encaminhado a uma ala comum. Mas, se apresentar sinais de Covid-19, será levado de máscara a uma área isolada. Neste setor, o paciente será medicado e enviado para casa. Em caso de gravidade, será internado.
   O polo, que será inaugurado até quarta-feira (1º) na UPA, seguirá o mesmo protocolo, com a diferença no número maior de profissionais de saúde e equipamentos.
   “A ideia é que os pacientes procurem o polo quando tiverem suspeitas. O HC é a referência para os pacientes que forem regulados. A ideia é que o paciente procure primeiro uma unidade para ser avaliado no pronto-atendimento e se for necessário, ele será regulado para o HC”, diz o gerente da UPA, Luciano Bertipaglia Fiori.
Pela primeira vez, a Secretaria Municipal de Saúde vai usar um equipamento israelense. Com apenas um toque do paciente, o aparelho é capaz de apontar o resultado de 16 exames, como hemoglobina, viscosidade do sangue, frequência cardíaca e oxigenação.
Segundo a Prefeitura, estão sendo investidos R$ 3 milhões para conter o avanço da doença. O prédio onde funcionava o Hospital de Retaguarda Francisco de Assis será reativado para atender pacientes.
   “O risco maior é que a gente tenha um número muito maior de casos do que a estrutura que nós temos. Neste momento, o investimento que está sendo feito é justificável ainda por estarmos tateando como vai ser. É muito melhor nós errarmos pelo excesso do que pela omissão e a gente ser pego de surpresa”, afirma Scarpelini.
O secretário informou que o valor de todos os repasses e das doações será depositado em uma conta bancária do Fundo Municipal de Saúde, para posterior prestação de contas. (G1)