Enamed: 23 faculdades de Medicina de SP apresentam péssimo desempenho
No último dia 19 de janeiro, o Ministério da Educação (MEC) divulgou os resultados obtidos pela primeira edição do Enamed, o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica – realizada em outubro do ano passado. Foram 351 cursos avaliados e, deste total, 107 (30,4% deles) apresentaram notas 1 e 2, o que comprova a precarização do ensino médico e acentua a preocupação acerca da formação dos novos profissionais.
Os cursos que tiraram notas consideradas insatisfatórias pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) sofrerão penalizações, como restrição do Fiesp e suspensão no número de vagas. Conforme destaca o MEC, as penalidades devem ser aplicadas gradativamente e, de acordo com o ministro Camila Santana, das 107 escolas, 99 passarão pelas punições, já que faculdades estaduais e municipais não são administradas pela Pasta.
Agora, oito cursos não poderão mais receber novos alunos; 13 terão que reduzir pela metade o número de vagas; e 33 terão que reduzir em 25% o número de vagas – nestas três categorias, os cursos estão suspensos do Fies e de demais programas federais. Outros 45 cursos não poderão mais aumentar o número de vagas.
Somente em São Paulo, o total de faculdades de Medicina com baixo desempenho é de 23 (34,3% do total). Com exceção de três escolas que são municipais, as demais são todas particulares. O presidente da Associação Paulista de Medicina, Antonio José Gonçalves, destaca a apreensão da classe ao observar a decadência do ensino.
“Esta não é uma preocupação recente que a APM tem. Há muito tempo estamos alertando para as consequências catastróficas que a abertura desenfreada de escolas de Medicina e, consequentemente, a formação de profissionais completamente despreparados, irão trazer. Este triste resultado do Enamed é o reflexo desse despreparo e de uma tragédia anunciada que passamos os últimos anos tentando evitar”, evidencia.
Das 67 escolas médicas avaliadas no estado, 14 tiveram nota 5, 13 tiveram nota 4, 17 tiveram nota 3, 15 tiveram nota 2 e 8 tiveram nota 1 – confira a lista completa abaixo.
Sobre a prova - O Enamed foi desenvolvido pelo Ministério da Educação no intuito de avaliar a formação dos médicos ao redor do País. É um exame obrigatório para estudantes de Medicina que estejam no último ano da graduação e, após esta primeira edição, passará a ser aplicado anualmente.
No entanto, de acordo com dados do Inep, dos 89 mil participantes da avaliação, também estiveram alunos de outros semestres. Dos formandos, que somam aproximadamente 39 mil alunos, 67% alcançaram o “resultado proficiente”, demonstrando que têm aptidão suficiente para atuar na Medicina. Contudo, cerca de 13 mil alunos não apresentaram resultados satisfatórios.
O ministro da Educação enfatiza que as universidades terão um prazo para recorrer e apresentar defesa. Ele também reforça que o Enamed não é uma punição, mas sim uma maneira das instituições de ensino se aperfeiçoarem e garantirem que a população seja assistida por profissionais de qualidade. “É uma forma de monitoramento com o único objetivo de melhorar o ensino.”
Para o presidente da APM, este monitoramento é fundamental e deve vir acompanhado pelo Exame Nacional de Proficiência Médica. “Enquanto um avalia as instituições, o outro avaliará a qualidade dos profissionais. Este é o combo ideal para protegermos a nossa população e garantirmos que a Medicina não seja dominada por profissionais sem o conhecimento mínimo necessário. A Associação Paulista de Medicina, que sempre se manteve vigilante em relação à educação médica, continuará a sua atuação na defesa da qualidade do ensino e da segurança dos pacientes.” (FONTE: APM)