Estadão publica artigo do presidente da APM sobre cursos de Medicina a distância
O presidente da Associação Paulista de Medicina, Antonio José Gonçalves, escreveu um artigo à coluna “Opinião” do Estadão, abordando os cursos de Medicina na Bolívia no formato semipresencial. Confira a seguir:
Medicina exige formação presencial
Ampliar o acesso à Medicina é legítimo, mas não pode ocorrer à custa da qualidade do ensino e da segurança da população. Formar médicos é formar responsáveis por vidas. Qualquer atalho nesse processo compromete não apenas a profissão, mas todo o sistema de saúde
A proliferação de cursos irregulares de Medicina estruturados majoritariamente a distância, oferecidos por instituições na Bolívia, representa um sério risco à formação médica e à saúde pública. A Medicina é uma profissão que exige presença, prática contínua e dedicação integral — elementos incompatíveis com modelos remotos ou concentrados em poucos períodos presenciais ao longo do ano.
Esses cursos têm sido divulgados com a promessa de que não seria necessário interromper outra atividade profissional, o que ignora a complexidade da formação médica. O aprendizado não se limita ao conteúdo teórico. Ele envolve desenvolvimento de habilidades clínicas, senso crítico, empatia e capacidade de tomada de decisão, construídos no contato permanente com pacientes, serviços de saúde e equipes multiprofissionais.
Há também um grave aspecto legal. Tanto no Brasil quanto na Bolívia, a legislação veda a formação médica fora do regime presencial. No Brasil, o Decreto nº 12.456/2025 proíbe expressamente cursos de Medicina a distância, semipresenciais ou virtuais. Diplomas obtidos em desacordo com essas normas podem ser considerados inválidos, impedindo o registro profissional e a participação no Revalida.
Ampliar o acesso à Medicina é legítimo, mas não pode ocorrer à custa da qualidade do ensino e da segurança da população. Formar médicos é formar responsáveis por vidas. Qualquer atalho nesse processo compromete não apenas a profissão, mas todo o sistema de saúde. (Fonte: Estadão / APM)