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Pesquisador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto é premiado por estudo sobre glicose em dietas sem carboidratos

Pesquisador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto é premiado por estudo sobre glicose  em dietas sem carboidratos

João Batista Camargo Neto recebeu o prêmio de melhor pôster na 54ª Reunião 
Anual da Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular

 

   O mestrando João Batista Camargo Neto, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, recebeu o prêmio de melhor pôster na 54ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular (SBBq). Orientado pela professora Isis do Carmo Kettelhut do Departamento de Bioquímica e Imunologia, o pesquisador foi reconhecido pelo estudo que investiga como o fígado consegue manter os níveis de glicose no sangue em dietas com alto teor de proteínas e baixo consumo de carboidratos.
   “A motivação para esta pesquisa teve origem nos resultados pioneiros obtidos na década de 1970 pelos professores Renato Helios Migliorini e Isis Kettelhut, que buscaram compreender como animais carnívoros conseguiam manter a normoglicemia mesmo na ausência de carboidratos na dieta”, explica João.          Segundo o pesquisador, apesar da relevância desses achados, os mecanismos moleculares que regulam essa adaptação metabólica permanecem pouco explorados.
   O estudo se concentra na chamada neoglicogênese hepática — processo metabólico pelo qual o fígado produz glicose a partir de substâncias não carboidrato, como aminoácidos. Utilizando animais transgênicos, estudos com células do fígado e experimentos em organismos vivos, Camargo Neto identificou uma transição regulatória entre dois fatores de transcrição: CREB, que atua no início da exposição à dieta rica em proteínas, e FoxO1, que assume o controle em fases mais prolongadas.
   “Acredito que o principal destaque do trabalho foi a elucidação do complexo controle molecular da neoglicogênese hepática ao longo do tempo de exposição à dieta hiperproteica”, afirma. “Esses achados contribuem significativamente para o entendimento da regulação de uma via essencial à manutenção da homeostase energética, especialmente em contextos de privação alimentar.”
   A descoberta pode ter implicações importantes no tratamento de doenças como o diabetes tipo 2 e o câncer, onde o metabolismo da glicose está frequentemente alterado. Para o mestrando, a premiação representa mais do que um reconhecimento acadêmico. “Foi uma experiência extremamente gratificante. Fiquei muito feliz com o reconhecimento e a premiação do nosso trabalho. Esse resultado nos inspira a continuar contribuindo para o avanço científico, sempre com dedicação, compromisso, rigor e, acima de tudo, persistência”, complementa.

Fonte: https://www.fmrp.usp.br/Eduardo Nazaré - Assessoria de Comunicação da FMRP-USP